O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, afirmou categoricamente que a Casa não analisará propostas que visem alterar a autonomia do Banco Central. Segundo Lira, a autonomia da instituição foi uma conquista liderada pelos próprios deputados e representou um avanço crucial para o país, trazendo segurança, previsibilidade e fortalecendo a confiança nas instituições brasileiras.
As declarações foram feitas durante um evento promovido pelo BTG Pactual, focado nas perspectivas e prioridades do parlamento para 2026. Em contraponto, o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai, defendeu a revisão da autonomia, citando como motivos os prejuízos observados no caso do Banco Master e as elevadas taxas de juros.
“Enquanto estivermos à frente da Câmara, não vamos pautar nenhuma revisão da autonomia do Banco Central, porque entendemos que essa autonomia trouxe segurança, previsibilidade e confiança nas instituições do País”, declarou Lira, reforçando que a atuação do Banco Central no caso Master, sem interferência política, demonstrou o funcionamento eficaz da instituição.
Sobre a possibilidade de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar irregularidades no Banco Master, Lira explicou que há 16 pedidos de CPIs em análise, abrangendo temas diversos. Ele ressaltou que, de acordo com o regimento interno, apenas cinco CPIs podem operar simultaneamente. “Não descarto, mas cumpro o regimento e vamos analisar esses pedidos que estão postos. O que eu quero que fique claro é que todo malfeito possa ser discutido conforme as leis do país, sem condenação prévia de quem quer que seja”, afirmou.
Em relação a impostos, o presidente da Câmara se mostrou cético quanto a novas propostas de aumento. Ele relembrou que o Congresso já pactuou com o Executivo a peça orçamentária de 2026, que incluiu cortes de gastos tributários e o aumento de impostos sobre apostas, permitindo a aprovação tranquila do orçamento. “Não vejo como caminhar numa agenda com aumento de impostos”, disse, acrescentando que o ambiente legislativo é avesso a novas elevações tributárias.
Quanto à reestruturação do plano de carreira dos servidores da Câmara, Lira explicou que o projeto se alinha a iniciativas semelhantes em outros poderes e órgãos, como Executivo, Judiciário, Senado e TCU. O projeto aprovado na Câmara prevê um reajuste de 8% para a maioria dos servidores, com um diferencial para cerca de 72 cargos de alta responsabilidade, o que, segundo Lira, está em conformidade com a reforma administrativa em discussão e com a eficiência da Casa. Ele enfatizou que o aumento está previsto no orçamento e que, mesmo com ele, a Câmara continuará devolvendo recursos significativos aos cofres públicos.

