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    Turismo no Pico da Neblina, ponto mais alto do Brasil, será retomado após quase 20 anos

    RedaçãoPor Redação7 de março de 2022
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    O Pico da Neblina, localizado na serra do Imeri, no Amazonas, irá retomar as atividades turísticas neste mês de março, após quase 20 anos suspensas. O local é considerado o ponto mais alto do Brasil, com 2.995,30 metros, e está localizado na terra indígena Yanomami, perto de São Gabriel da Cachoeira.

    Desde 2003, o turismo na região foi suspenso pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) com o intuito de impedir uma degradação ambiental e a violação dos direitos do povo indígena Yanomami.

    As expedições turísticas no Pico da Neblina serão feitas em grupos de 10 pessoas. Atualmente, três empresas têm autorização para atuar na região: Amazon Emotions, Roraima Adventures e Ambiental Turismo.

    A proprietária da Amazon Emotions, Vanessa Marino, informou que a expedição de reabertura está prevista para o dia 17 deste mês.

    “Até então, a visitação ao Yaripo – nome dado pelos Yanimami para o Pico da Neblina – era realizada sem qualquer regulamentação ou controle dos órgãos responsáveis. A maioria dos turistas que subiu o pico não sabia que ele está dentro de uma Terra Indígena e da sua importância espiritual para os Yanomami, apesar de quase sempre contratarem os mesmos como carregadores”, comentou.

    Conforme Vanessa Marino, o turismo no Pico da Neblina não deve favorecer apenas o setor, mas também as comunidades tradicionais. “A maior expectativa é que essa atividade consiga gerar os benefícios para o Povo Yanomami, e eles tenham no turismo uma fonte alternativa de subsistência”, disse.

    “É uma expedição complexa, dentro da maior floresta do mundo, interagindo com os Yanomami, que serão nossos guias e parceiros operacionais, com cronograma de 15 dias desde a chegada e o final em São Gabriel da Cachoeira, dos quais serão 10 dias dentro da mata”, contou Marino.

    O ponto mais alto do Brasil costuma ter uma procura imensa por pessoas que buscam conhecer o local, pela história que tem. Agora, com as expedições liberadas, a expectativa é que a demanda de turistas seja alta.

    “A procura é imensa por ser um destino único, do ponto mais alto do Brasil, imerso na natureza amazônica que desperta a atenção do mundo, e de interação cultural com um dos povos mais antigos do planeta (Yanomami), e a expectativa é que haja uma demanda expressiva”, contou.

    Em 2018, uma expedição chefiada por zoólogos da USP, com a participação do Exército e guias do povo yanomami, se deparou com novas espécies de animais e restos de garimpo no local.

    Caminhos até retorno de expedições

    Desde 2003, o processo para que as atividades de turismo retornassem foram discutidos com a Fundação Nacional do Índio (Funai), o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e Associação dos Yanomami do Rio Cauburis e Afluentes (Ayrca), os quais detêm a autonomia de autorizar as expedições.

    Desde 2012, os Yanomami passaram a estabelecer parcerias com diversas instituições governamentais e da sociedade civil, com o intuito de criar as condições necessárias para promover o plano de visitação, chamado de ‘Yaripo – Ecoturismo Yanomami.

    Ao longo de várias etapas realizadas para a construção do plano, novos apoiadores se juntaram ao ICMBio e Funai durante o processo de mobilização e tomada de decisão, segundo Vanessa Marino.

    Após o plano ter sido elaborado, a Amazon Emotions e outras duas empresas foram credenciadas para as atividades de turismo no Pico da Neblina.

    A redação  entrou em contato com a Funai e com o ICMBIO para obter mais detalhes sobre o plano que regulamenta o turismo no local, mas ainda não obteve resposta.

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

    Fonte: G1 Amazonas

     

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