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    Brasil

    Ameaça de greve de caminhoneiros é jogada eleitoral, diz especialista

    RedaçãoPor Redação16 de março de 2022
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    A enorme greve de 2018 é um evento lendário para os caminhoneiros brasileiros, e os representantes da categorias tentaram várias vezes, desde então, (re)fazer algo parecido com o movimento que parou o país por 10 dias e fragilizou o governo de Michel Temer (MDB). Todas as tentativas, porém, falharam até agora, e a tendência é de que nada de grave ocorra novamente, apesar do recente mega-aumento no preço do diesel estar afetando severamente os transportadores.

    Apesar de até uma autoridade do primeiro escalão – o ministro Tarcísio Freitas, da Infraestrutura – ter apoiado abertamente uma greve como alternativa para buscar um aumento no valor dos fretes, os caminhoneiros não reúnem condições políticas ou financeiras para protestar ostensivamente nas rodovias.

    A avaliação é do analista Rodolfo Rizzotto, coordenador do SOS Estradas – Programa de Segurança nas Estradas e editor do portal www.estradas.com.br. As ameaças que persistem, defende, estão mais relacionadas às eleições de outubro do que a pautas dos trabalhadores.
    Ao contrário do que ocorreu em 2018, não há um apoio institucional e financeiro de empresários do agronegócio ou de transportadoras aos caminhoneiros, e os autônomos não possuem lideranças com influência ampla o suficiente.

    “As ‘lideranças’ que a gente está acostumado a ver na TV, fazendo ameaças e barulho, não representam ninguém. Muitas vezes precisam tirar fotos em caminhões alheios, porque nem caminhoneiros de verdade são. Mas o governo do qual o ministro Tarcísio faz parte deu espaço para esses caras por medo, por eles terem essa influência midiática, mas eles não têm capacidade real de mobilizar os caminhoneiros, até porque quem está mais afetado pela alta dos custos não tem condição financeira de ir para uma estrada protestar”, avalia ele, em entrevista.

    “Esses caras começam a fazer mais barulho em anos eleitorais, porque esse é o interesse deles, estão sempre se candidatando”, completa Rizzotto, que exemplifica seu argumento lembrando que as pautas de mobilizações diminutas nos últimos anos não incluem toda a categoria.
    “Que movimento é esse que não pede melhores condições de trabalho, aumento de salário ou redução de jornada? Eles ignoram os caminhoneiros empregados, que são uma parte considerável da categoria. Focam nos autônomos para usá-los como massa de manobra”, afirma o especialista. “Tanto que nunca vemos manifestações orgânicas, mas piquetes violentos, que tentam impedir à força, com pedradas, que os veículos circulem.”

    O mega-aumento

    Os impactos da guerra na Ucrânia aceleraram uma tendência de alta no preço dos combustíveis no Brasil. O aumento do preço do petróleo no mercado internacional levou a Petrobras a cumprir sua política de paridade e reajustar o preço da gasolina, do diesel e do gás de cozinha. Desde a última sexta-feira (11/3), o preço médio da gasolina para as distribuidoras passou de R$ 3,25 para R$ 3,86 por litro, aumento de 18,8%. Para o diesel, o preço médio passou de R$ 3,61 para R$ 4,51 por litro, alta de 24,9%.
    Os reajustes estão repercutindo muito desde então, e o próprio presidente Jair Bolsonaro (PL) tem liderado as críticas à Petrobras, apesar de ser o responsável pela indicação da diretoria da estatal.

    Na terça (15/3), Bolsonaro afirmou que o preço dos combustíveis do Brasil é “impagável” e que a Petrobras “não colabora com nada”.
    Apesar de a Petrobras não ter repassado ao consumidor o total do aumento no preço internacional, Bolsonaro está pressionando para que a empresa recue no reajuste porque o preço do barril caiu um pouco nesta semana.

    “Estamos tendo notícias de que, nos últimos dias, o preço do petróleo lá fora tem caído bastante. A gente espera que a Petrobras acompanhe a queda de preço lá fora. Com toda a certeza, ela fará isso daí”, cobrou o chefe do Executivo.

    Apesar de toda essa pressão, o general que comanda a Petrobras, Joaquim Silva e Luna, garante que segue firme no cargo.
    Em entrevista na terça ao blog da colunista Andréa Sadi, no G1, Silva e Luna rechaçou totalmente a possibilidade de entregar o cargo e afirmou que essa atitude não faz parte do protocolo militar.

    “Jamais farei isso [pedir demissão]. Tenho formação militar, a gente morre junto na batalha e não deixa a tropa sozinha”, afirmou o general reservista. “Agora, minha indicação é do presidente da República, com quem tenho uma relação de lealdade e de confiança”, complementou Silva e Luna.

    Fonte: Metrópoles

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