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    Protestos mortais no Quênia contra centro de quarentena para americanos expostos ao Ebola

    RedaçãoPor Redação10 de junho de 2026
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    Três pessoas morreram em meio a protestos no Quênia contra a instalação de um centro de quarentena destinado a cidadãos americanos expostos ao vírus Ebola. O acordo bilateral entre os Estados Unidos e o Quênia tem gerado apreensão na população queniana, que teme por riscos à saúde pública decorrentes da transferência de indivíduos potencialmente infectados.

    O Quênia, com uma população estimada em 56 milhões de habitantes, compartilha fronteiras com Uganda, um dos países atualmente afetados pelo surto de Ebola. A República Democrática do Congo (RDC) também registra casos da doença. Dada a proximidade geográfica com as áreas de contágio, a Organização Mundial da Saúde (OMS) considera o Quênia um país em risco de contrair a doença.

    Na terça-feira (9), manifestantes em Nairóbi, a capital queniana, denunciaram a morte de um indivíduo durante um protesto contra a instalação do centro de quarentena, supostamente apoiado pelos EUA. Na semana anterior, outras duas mortes foram registradas em manifestações com o mesmo motivo, conforme relatado pela Comissão de Direitos Humanos do Quênia (KHRC). A polícia foi acusada de disparar contra um manifestante em Nairóbi, o que desencadeou a revolta popular que exige transparência e garantias para a saúde pública.

    Natalia Fingermann, coordenadora do Núcleo de Estudos e Negócios Africanos (Nenaf) da ESPM, explicou que, embora o Quênia ainda não tenha registrado casos de Ebola, a população demonstra receio quanto ao centro, resultado de um acordo sigiloso firmado com o governo do então presidente Donald Trump. O acordo prevê a criação de um centro de quarentena para cidadãos norte-americanos no território africano sob suspeita de exposição ao vírus.

    A instalação do centro, que teria capacidade inicial de 50 leitos com previsão de expansão para 250, foi suspensa por ordem cautelar do Tribunal Superior de Nairóbi. A decisão judicial impede a entrada ou transferência de pessoas expostas ou infectadas com Ebola no Quênia, conforme o acordo relatado com os EUA. A mídia local indica que o centro seria construído em Laikipia, a cerca de 150 quilômetros da capital.

    A Embaixada dos EUA no Quênia declarou que está trabalhando para superar quaisquer obstáculos à resposta conjunta dos países contra o surto de Ebola, assegurando que a unidade de bioisolamento em Laikipia não representa risco para as comunidades vizinhas e faz parte de uma estratégia abrangente para prevenir a disseminação da doença na região.

    Fingermann também mencionou que os protestos recentes no Quênia não se limitam à questão do Ebola, citando manifestações anteriores contra o aumento do preço dos combustíveis, em parte influenciado pela instabilidade no mercado global de petróleo. A política externa do presidente queniano, William Ruto, tem sido percebida como alinhada à pauta ocidental, com algumas características autoritárias.

    O atual surto de Ebola, causado pela cepa Bundibugyo, tem sido um desafio para as autoridades de saúde africanas e organismos internacionais, pois ainda não dispõe de vacina ou tratamento específico. Até 8 de junho, a República Democrática do Congo registrava 626 casos confirmados e 112 mortes, enquanto Uganda apresentava 19 casos e duas mortes, segundo dados consolidados pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) da União Africana.

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