Em discurso durante a 7ª Reunião Plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez uma comparação entre os recentes protestos no México e as manifestações que ocorreram no Brasil em 2013. Lula tem agendada uma teleconferência com a presidente mexicana Claudia Sheinbaum para a tarde desta quarta-feira (10).
O presidente relembrou que, em 2013, as manifestações brasileiras, inicialmente focadas contra o aumento da tarifa de ônibus, foram instrumentalizadas pela extrema-direita, culminando no processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. “A extrema-direita tirou proveito e fez o impeachment da Dilma. Vocês conhecem o resultado e elegeram até presidente da República”, declarou.
Lula sugeriu que a atual instabilidade no México pode ter interferências externas, levantando a possibilidade de envolvimento de atores não mexicanos. “Eu acho que tem o dedo de alguém e que, talvez, nem seja mexicano”, afirmou.
O México se encontra em meio a uma onda de protestos que antecedem a abertura da Copa do Mundo, evento que o país sediará em conjunto com Estados Unidos e Canadá. Os atos são liderados por professores que reivindicam reajustes salariais. Confrontos com forças de segurança e bloqueios de vias na capital mexicana aumentaram a tensão nos últimos dias.
Em outro ponto de sua fala, o presidente Lula criticou a disseminação acelerada de notícias falsas, que, segundo ele, prejudica o debate público. “Estamos vivendo um momento muito delicado na política e na humanidade. A narrativa e o argumento não valem mais nada. O que vale é a rapidez da mentira nas redes digitais, tanto para a direita quanto para a esquerda. É uma disputa do quanto mais curto, melhor. E quanto menos explicado, melhor”, lamentou.
Ele acrescentou que a sociedade só alcançará um estado mais civilizado quando os argumentos e narrativas sérias voltarem a ter peso nas discussões políticas. “O mundo só vai ser civilizado quando a gente voltar a ter em conta o que é o argumento, é a narrativa das coisas que podem convencer a seriedade de alguém que disputa um cargo em qualquer lugar. E não estamos vivendo este momento”, concluiu.

