Um ataque de drone israelense em Kfar Tebnit, no sul do Líbano, nesta segunda-feira (15), resultou na morte do motorista de um veículo atingido. A Agência Nacional de Notícias (NNA) do Líbano confirmou o incidente, que também feriu o jornalista libanês Hadi Abdel Moneim Hoteit com estilhaços. Ele foi levado a um hospital em Nabatieh para cirurgia.
Os ataques ocorrem em um momento delicado, poucas horas após o anúncio de um acordo entre Estados Unidos e Irã, que prevê a suspensão de conflitos e a reabertura do Estreito de Ormuz. O acordo, a ser assinado em Genebra na sexta-feira (19), também incluiria um cessar-fogo no Líbano, uma das exigências de Teerã.
A continuidade dos confrontos na fronteira libanesa pode comprometer o processo de paz. Autoridades israelenses ainda não se pronunciaram oficialmente sobre os ataques. Paralelamente, a NNA reportou a presença de um drone israelense sobrevoando Beirute em baixa altitude.
Em resposta, o grupo político-militar Hezbollah informou ter atacado um comboio do exército israelense próximo a Kfar Tebnit, por volta das 18h, horário local. Segundo o Hezbollah, a ação forçou o recuo de forças israelenses que avançavam na região.
Apesar do anúncio do acordo EUA-Irã, que abrange um cessar-fogo no Líbano, o Exército Libanês aconselhou os moradores do sul do país a não retornarem às suas casas, citando o risco de violações. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou desconhecer os termos do acordo relativos ao programa nuclear iraniano, que Israel e EUA apontam como justificativa para ações contra o Irã.
Netanyahu afirmou que Israel manterá sua presença na zona de segurança do Líbano pelo tempo necessário. O Hezbollah, por sua vez, saudou o memorando de entendimento entre EUA e Irã, vendo-o como um passo para a libertação de seu território e o retorno de prisioneiros.
Desde 2 de março, o conflito no Líbano já causou 3.700 mortos e 11.700 feridos, segundo o Ministério da Saúde libanês. A atual escalada está ligada à guerra na Faixa de Gaza, com o Hezbollah lançando foguetes contra Israel em solidariedade aos palestinos. Um cessar-fogo anterior, acordado em novembro de 2024, foi seguido por ataques esporádicos de Israel, e o Hezbollah retomou suas ações em resposta a violações e à guerra no Irã.
O histórico de conflitos entre Israel e Hezbollah remonta à década de 1980. Após a expulsão das forças israelenses em 2000, o Hezbollah se consolidou como força política e militar. Israel realizou novos ataques ao Líbano em 2006, 2009 e 2011.

