Em um evento de campanha realizado na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, apresentou-se ao lado do deputado estadual Douglas Ruas (PL-RJ), que concorre ao governo do estado. A dupla declarou alinhamento em um discurso de “guerra” contra o crime organizado, mencionando especificamente o Comando Vermelho, o PCC e as milícias que atuam em diversas regiões do país.
Durante o encontro com apoiadores e políticos, Flávio Bolsonaro abordou a imprensa e negou veementemente boatos sobre a privatização da Petrobras, afirmando que manterá os programas sociais existentes. Ele também se disse vítima de desinformação, citando como exemplo a alegação de que acabaria com o Bolsa Família, o que classificou como “mentira”.
A campanha de Bolsonaro tem enfrentado questionamentos sobre cortes em programas sociais. Recentemente, foi apontada uma proposta no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2023, enviada pelo governo de Jair Bolsonaro, que sugeria uma redução de 59% nos recursos destinados à Farmácia Popular. A equipe econômica de Flávio Bolsonaro, representada por Daniella Marques, tem sinalizado a intenção de reduzir ministérios e cortar gastos públicos, embora a campanha negue que medidas de economia de até R$ 250 bilhões, que incluiriam alterações em aposentadorias e pisos de saúde e educação, sejam posições oficiais do candidato.
O evento também trouxe à tona o histórico de Flávio Bolsonaro com figuras ligadas a investigações sobre milícias. Em 2003, ele propôs uma moção de louvor ao ex-policial militar Adriano da Nóbrega, que em 2005 recebeu a Medalha Tiradentes por iniciativa do senador. O gabinete de Flávio Bolsonaro chegou a empregar a mãe e a esposa de Adriano, e ele também é acusado de destinar uma emenda parlamentar para um projeto esportivo a pedido de Robson Calixto, conhecido como “Peixe”, miliciano condenado por envolvimento na morte da vereadora Marielle Franco.
Douglas Ruas, por sua vez, é filho de Capitão Nelson (PL), prefeito de São Gonçalo. Em 2008, o pai de Ruas foi citado no relatório final da CPI das Milícias da Alerj como um dos líderes de grupos paramilitares na região, alegações que ele refuta.

