Os candidatos à Presidência da República que disputam o segundo turno das eleições apresentaram planos de governo com abordagens distintas para a segurança pública. Ambos os projetos incluem medidas para combater o crime organizado, a violência contra a mulher, aprimorar a segurança nas fronteiras e fortalecer o sistema prisional.
Flávio Bolsonaro (PL) propõe classificar facções criminosas como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como organizações narcoterroristas, defendendo um combate enérgico com força e inteligência. Sua plataforma inclui a prisão de líderes criminosos, a asfixia de negócios ilícitos e a desarticulação de redes de lavagem de dinheiro. Ele também sugere o abate de criminosos armados com fuzis e a criação de um sistema nacional de reconhecimento facial denominado “Muralha Brasileira”, integrado a bancos de dados criminais e com a instalação de mais de um milhão de câmeras em áreas públicas. Para as fronteiras, propõe um Sistema Nacional de Fronteira, com uma força de elite equipada para interceptar armas e drogas. No âmbito penal, defende a redução da maioridade penal para 16 anos em casos de crimes graves e a construção de cinco novos presídios de segurança máxima, além de parcerias para criar 500 mil novas vagas carcerárias. Flávio também propõe monitorar agressores com tornozeleiras eletrônicas, endurecer leis contra feminicídio, criar uma plataforma de inteligência artificial para atendimento a vítimas e modernizar canais de denúncia. Ele ainda sugere quadruplicar a pena para roubo, furto ou revenda de celulares e trabalhar pela aprovação da castração química para condenados por abuso de mulheres e crianças.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por sua vez, foca no combate ao crime organizado através da asfixia financeira, dentro dos limites constitucionais e do Estado Democrático de Direito. Ele propõe retomar territórios controlados por grupos armados com investimentos em urbanização e atividades econômicas lícitas, além de impedir candidaturas ligadas ao crime. Lula também defende o fortalecimento do policiamento de proximidade, o uso de câmeras corporais e a articulação de um Sistema Nacional de Segurança Pública, com a criação de um Ministério da Segurança Pública. Para as fronteiras, propõe reforçar a segurança na Amazônia Legal em cooperação com países vizinhos e manter a presença das Forças Armadas. No sistema prisional, busca modernizar unidades, investir em tecnologia para controle e qualificar profissionais, além de isolar lideranças criminosas e criar um Centro Nacional de Inteligência Penal. Lula propõe a conclusão de mais Casas da Mulher Brasileira e Centros de Referência, além de kits para monitorar agressores e capacitação de forças de segurança. Ele também visa combater o machismo e o sexismo, e expandir as Salas Lilás para acolhimento de vítimas. Seus planos incluem destinar R$ 10 bilhões do FIIS para investimentos em segurança e a expansão do programa “Celular Seguro”, com foco no bloqueio rápido de aparelhos e no combate a redes de receptação. Lula também propõe controle e rastreabilidade de armas e munições, e o aprimoramento da prevenção e repressão a crimes financeiros, cibernéticos e de ódio.

