O ex-presidente Jair Bolsonaro deve receber alta hospitalar na manhã desta quinta-feira (2), após internação iniciada na véspera de Natal para procedimentos médicos. Caso não surjam novas complicações, ele retornará à sua cela na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília, onde cumpre pena relacionada ao processo da trama golpista.
A informação foi confirmada pelo cardiologista Brasil Caiado, do Hospital DF Star, que acompanha o ex-presidente. Segundo ele, a alta está programada, mas depende de uma avaliação final. “A gente pretende chegar cedo, fazer a avaliação de rotina e, se não houver nada de diferente, comunicar a superintendência da PF”, explicou Caiado. Bolsonaro foi internado no dia 24 de dezembro e passou por uma cirurgia de hérnia inguinal no dia seguinte. O ministro Alexandre de Moraes, do STF, autorizou sua saída temporária da PF para os procedimentos.
Durante a internação, Bolsonaro enfrentou uma crise persistente de soluços, que o acompanha há meses. Para tentar controlar o sintoma, ele passou por ao menos três cirurgias para bloqueio do nervo frênico. O cirurgião Claudio Birolini detalhou que o bloqueio em ambos os lados do nervo reduziu a intensidade dos soluços, mas não os cessou completamente, indicando uma possível origem no sistema nervoso central. O tratamento continuará com medicação e outras terapias.
Os soluços prolongados têm agravado o estado psicológico do ex-presidente, conforme relatado pela equipe médica. Caiado observou que Bolsonaro fica “bem abatido” durante as crises, com oscilações significativas em seu estado emocional e físico. Para lidar com essa situação e o abatimento, o ex-presidente solicitou e passou a usar medicamentos antidepressivos, com a expectativa de que o tratamento traga efeitos em breve.
Após a alta, o autocuidado de Bolsonaro na cela da PF será sua responsabilidade, com a possibilidade de acompanhamento médico sempre que necessário. O ex-presidente tem demonstrado disciplina em relação a recomendações médicas, como cuidados com a alimentação e a postura após as refeições, visando evitar refluxos. A cela da PF, com cerca de 12 metros quadrados, foi reformada e conta com comodidades como cama de solteiro, armários, televisão, frigobar e banheiro privativo.
Um boletim médico divulgado nesta quarta-feira (1º) indicou melhora na crise de soluços e a realização de uma endoscopia digestiva alta, que revelou esofagite e gastrite persistentes. Outro ponto de atenção é a apneia obstrutiva do sono, para a qual Bolsonaro passou a usar um aparelho CPAP. O dispositivo, que fornece fluxo de ar contínuo através de uma máscara, tem auxiliado na melhora do sono e sua utilização contínua foi indicada, inclusive para o período em que ele estiver na carceragem.

