O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a divulgação de um laudo elaborado por peritos da Polícia Federal (PF) sobre o estado de saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro. O documento conclui que Bolsonaro, atualmente detido, não necessita de transferência para um hospital, mas sim de um aprimoramento em seus cuidados médicos para mitigar riscos, como eventos cardiovasculares.
Após exames físicos, laboratoriais e de imagem, a equipe de peritos da PF identificou que o ex-presidente possui sete condições crônicas de saúde. Apesar disso, a avaliação indica que essas comorbidades não justificam, no momento, a necessidade de internação hospitalar. Contudo, o laudo ressalta a importância da otimização dos tratamentos e das medidas preventivas por especialistas, devido ao risco de complicações, em especial as relacionadas ao coração.
Os três médicos peritos examinaram Bolsonaro em 20 de janeiro na unidade prisional conhecida como Papudinha, onde ele cumpre pena. Na ocasião, não foram constatadas doenças como depressão ou pneumonia aspirativa. No entanto, o laudo atestou a presença de hipertensão arterial sistêmica, síndrome da apneia obstrutiva do sono grave, obesidade clínica, aterosclerose sistêmica, doença do refluxo gastroesofágico, queratose actínica e aderências intra-abdominais.
A entrevista com Bolsonaro não revelou queixas de baixa autoestima, desesperança ou anedonia, embora os peritos tenham observado um possível abatimento. Além do exame clínico, os peritos inspecionaram as instalações da Papudinha, incluindo a cela do ex-presidente e áreas comuns. Com base na avaliação, foram feitas quatro recomendações para aprimorar as condições de saúde e segurança do detento.
As recomendações incluem investigação e tratamento para um quadro neurológico em curso, com medidas paliativas como a instalação de grades de apoio e campainhas de emergência no alojamento, além de acompanhamento contínuo. Sugeriram também avaliação nutricional e prescrição dietética por profissional especializado, prática regular de atividade física e tratamento fisioterápico contínuo, com foco em força muscular e equilíbrio postural.
O laudo foi solicitado por Alexandre de Moraes em 15 de janeiro, após a transferência de Bolsonaro para a Papudinha. O ministro concedeu um prazo de cinco dias para que a defesa do ex-presidente e a Procuradoria-Geral da República se manifestem sobre o documento. Posterior a isso, Moraes poderá reavaliar os pedidos de prisão domiciliar humanitária feitos pela defesa, considerando a idade e o estado de saúde de Bolsonaro.

