Um ex-policial militar foi condenado a nove anos, nove meses e 18 dias de reclusão pelo assassinato do bicheiro Fernando Iggnácio. A decisão foi proferida pelo 1º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro.
O júri considerou o crime de homicídio triplamente qualificado, com as agravantes de motivo torpe, meio cruel e emboscada. A pena imposta ao ex-PM, Rodrigo da Silva das Neves, 32 anos, será cumprida em regime fechado.
Fernando Iggnácio foi executado em 2020 no estacionamento de um heliponto na zona oeste do Rio, após retornar de sua casa de praia em Angra dos Reis. O juiz Thiago Portes Vieira de Souza, presidente do júri, destacou o papel central de Rodrigo na execução da emboscada e o arsenal apreendido em sua posse, incluindo quatro fuzis e grande quantidade de munição, que evidenciavam sua participação na organização do crime.
O magistrado ressaltou que o réu, à época policial militar da ativa, optou por cometer um crime em vez de reprimi-lo, utilizando seus conhecimentos da corporação para planejar e executar a morte da vítima.
Outros dois acusados, os irmãos Pedro Emanuel D’Onofre Andrade Silva Cordeiro e Otto Samuel D’Onofre Andrade Silva Cordeiro, que também responderiam pelo crime, tiveram seus julgamentos adiados. Eles dispensaram seus advogados no início da sessão e precisarão constituir novas defesas, o que levará à remarcação do júri.
Um quinto suspeito, Ygor Rodrigues Santos da Cruz, foi encontrado morto em 2022. O contraventor Rogério de Andrade, denunciado como mandante do crime, responde em um processo separado, juntamente com Gilmar Eneas Lisboa.
Fernando Iggnácio, genro do contraventor Castor de Andrade, teria sido assassinado a mando de Rogério de Andrade, sobrinho de Castor. A disputa pelo espólio de Castor de Andrade teria sido o estopim para uma guerra entre os dois grupos, que resultou em dezenas de mortes ao longo de quase três décadas.

