O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a abertura de um inquérito para investigar denúncias de assédio sexual que pesam contra o ministro afastado do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Marco Buzzi. A decisão formaliza a participação da Polícia Federal (PF) nas apurações, que terão um prazo inicial de 60 dias para serem concluídas.
As acusações contra Buzzi ganharam destaque após o relato de uma jovem de 18 anos, que alegou ter sido importunada sexualmente pelo magistrado em Balneário Camboriú (SC). Posteriormente, outras duas mulheres apresentaram queixas ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), detalhando supostos assédios no ambiente de trabalho.
Em fevereiro, o STJ decidiu afastar cautelarmente Marco Buzzi enquanto uma sindicância interna era conduzida por um colegiado de três ministros. O prazo para a conclusão dessa sindicância, que já havia sido prorrogado, estava previsto para encerrar nesta semana. Uma tentativa da defesa de Buzzi de suspender o procedimento no STJ foi negada pelo ministro Nunes Marques.
Paralelamente, a esfera criminal do caso tramita no STF, onde Buzzi possui foro privilegiado. Sob a relatoria de Nunes Marques, o STF analisa a denúncia inicial apresentada pela jovem de 18 anos, que já prestou depoimentos à polícia e ao CNJ.
A defesa de Marco Buzzi tem reiteradamente negado as acusações. Em nota divulgada nesta terça-feira (14), os advogados do ministro afirmaram que ele é vítima de uma “campanha sistemática de acusações veiculadas na imprensa”. A defesa alega que os desdobramentos jurídicos iniciais não refletem a realidade dos fatos e que o magistrado possui uma trajetória profissional ilibada de mais de quatro décadas, sem qualquer mácula.

