A ministra Cármen Lúcia, integrante do Supremo Tribunal Federal (STF), declarou nesta sexta-feira (17) que o Judiciário brasileiro atravessa uma crise de confiabilidade de proporções graves, enfatizando a necessidade de que essa situação seja abertamente reconhecida.
Durante uma palestra ministrada a estudantes de direito na Fundação Getulio Vargas (FGV), no Rio de Janeiro, a ministra expressou sua preocupação. “Estamos imersos em uma crise”, admitiu, ressaltando a gravidade do cenário. Ela fez um apelo para que a crise de confiabilidade seja vista não apenas pelos membros do Judiciário, mas também pela sociedade. “Queremos que os jovens queiram ser juízes. Não é porque é fácil, não é. É muito difícil. Tive mais momentos de alegria como advogada do que 20 anos como juíza”, comparou, ilustrando a complexidade da carreira.
A declaração de Cármen Lúcia ecoa o posicionamento mais cedo do presidente do STF, Edson Fachin, que também admitiu a existência de uma crise institucional na Corte e a urgência em enfrentá-la. A tensão no Supremo foi intensificada nesta semana após o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) propor o indiciamento dos ministros Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli no relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado. Essa tentativa de responsabilização dos ministros agravou a crise interna, que já vinha sendo afetada por investigações relacionadas ao Banco Master.

