O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) realizou, nesta terça-feira (28), um encontro com familiares de pessoas mortas durante a Operação Contenção. O evento ocorreu no quartel do Corpo de Bombeiros da Penha e contou com o apoio da ouvidoria itinerante da instituição. A operação, deflagrada em outubro de 2025 nos Complexos da Penha e do Alemão, resultou na morte de 122 indivíduos, incluindo cinco policiais civis e militares.
O objetivo principal da reunião foi coletar depoimentos sobre a dinâmica da ação policial, visando auxiliar o MPRJ na elucidação dos fatos. Segundo o órgão, a iniciativa de realizar o atendimento próximo ao local dos acontecimentos busca ampliar o acesso à justiça e a efetividade investigativa, evitando que o deslocamento até a sede do MP se torne um obstáculo para os familiares.
Esta não foi a primeira vez que o MPRJ buscou ativamente os parentes das vítimas. O Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp/MPRJ) já havia realizado um encontro semelhante em 24 de março. A escuta dos familiares é considerada crucial para a investigação autônoma conduzida pelo Gaesp, permitindo compreender a identidade das vítimas e obter uma visão mais clara dos acontecimentos.
Laura Minc, assistente do Gaesp, destacou que a iniciativa visa aumentar a participação de familiares que, por diversos motivos, como incompatibilidade de agendas ou dificuldades de acesso, não puderam comparecer às notificações anteriores. David Faria, ouvidor do MPRJ, ressaltou o papel da ouvidoria como porta de entrada para o cidadão e a importância da aproximação institucional com a população para a proteção dos direitos humanos, em cumprimento ao determinado na ADPF 635, que exige a atuação ampla do MP em casos de letalidade policial.
Desde a Operação Contenção, o MPRJ tem adotado uma série de medidas, incluindo a instauração de Procedimento Investigatório Criminal (PIC) autônomo, monitoramento em tempo real das operações e o acionamento de protocolos específicos. Foram requisitados documentos às Secretarias de Polícia Militar e Civil, ouvidos agentes públicos envolvidos no planejamento e na tomada de decisões, e realizadas perícias complementares.
Adicionalmente, o Gaesp, em parceria com a Divisão de Evidências Digitais e Tecnologia (Dedit), produziu laudos sobre as vítimas e está analisando mais de 3.600 horas de gravações de câmeras corporais da Polícia Militar. Em dezembro de 2025 e março de 2026, o Gaesp emitiu recomendações aos secretários de Segurança Pública, Polícia Civil e Polícia Militar para a edição de protocolos conjuntos de atuação em operações, visando a redução de riscos e letalidade, além do aprimoramento do uso de câmeras operacionais portáteis.
Até o momento, o Gaesp e as promotorias junto à Auditoria da Justiça Militar apresentaram oito denúncias contra 27 policiais militares. As acusações incluem ilegalidades como apropriação de armamento, furto de peças de veículos, invasão de domicílios, constrangimento de moradores, subtração de bens e tentativas de obstrução ou desligamento de câmeras corporais.

