O Supremo Tribunal Federal (STF) tem encontrado obstáculos para notificar o deputado federal Mário Frias (PL-SP) a respeito de esclarecimentos sobre o uso de emendas parlamentares. A investigação preliminar apura o possível desvio de finalidade na destinação de R$ 2 milhões a uma ONG vinculada à produtora do filme sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Mário Frias, apontado como produtor-executivo da cinebiografia intitulada ‘Dark Horse’, que ainda não foi lançada, é o foco da apuração. Os recursos foram enviados ao Instituto Conhecer Brasil, uma entidade associada à Go Up Entertainment, responsável pela produção audiovisual do longa. O caso chegou ao STF por meio de uma representação da deputada Tabata Amaral (PSB-SP).
Tentativas de notificação realizadas em datas como 31 de março, 7 e 14 de abril não obtiveram sucesso. Mais recentemente, em 18 de outubro, um oficial de justiça dirigiu-se ao endereço indicado pelo parlamentar em Brasília, mas foi informado pelo porteiro que Frias não reside mais no local há dois anos. O endereço havia sido fornecido pela Câmara dos Deputados a pedido do ministro relator do caso, Flávio Dino.
Em 13 de outubro, uma ligação telefônica para o gabinete de Frias na Câmara foi atendida por sua secretária, que informou que o deputado estava em uma missão internacional, sem previsão de retorno. O deputado, por sua vez, defende a legalidade das emendas, citando um parecer da Advocacia da Câmara que atesta a inexistência de irregularidades formais.
A controvérsia em torno do filme ganhou notoriedade após revelações do site The Intercept, que indicaram que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria solicitado financiamento ao banqueiro Daniel Vorcaro para as gravações. Na época, Flávio Bolsonaro negou ter acordado qualquer benefício indevido, afirmando que os recursos eram de origem privada.

