Um dos momentos cruciais do julgamento de Jairo de Souza Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, e de Monique Medeiros, mãe do pequeno Henry Borel, ocorreu nesta quarta-feira (19) no 2º Tribunal do Júri, no centro do Rio de Janeiro. A pediatra Maria Cristina de Souza, que integrou a equipe médica do Hospital Barra d’Or responsável pela tentativa de reanimar a criança na madrugada de 8 de março de 2021, prestou depoimento.
Durante seu testemunho, a médica foi enfática ao declarar que Henry Borel já chegou à unidade hospitalar sem sinais vitais e em estado de morte clínica. Segundo ela, a criança recebeu atendimento e os procedimentos iniciais de reanimação em menos de um minuto após sua chegada.
A pediatra detalhou que os esforços para reverter o quadro de Henry se estenderam por quase duas horas. “Quando a equipe já avaliava encerrar o protocolo, encontramos Leniel. Ele pediu para que não desistíssemos de seu filho e continuamos”, relatou Maria Cristina, referindo-se ao pai da criança, Leniel Borel.
Em seu depoimento, Maria Cristina reiterou que Henry apresentava inchaço e estava sem pulso ao chegar. Ela descreveu a administração de adrenalina e a continuidade da massagem cardíaca, reforçando que a criança já se encontrava em estado de morte clínica.
Adicionalmente, a médica informou ter observado, durante o atendimento, a presença de hematomas e marcas arroxeadas em diversas partes do corpo da criança, incluindo tórax, abdômen, coxas e punhos.
Em uma decisão separada, a defesa de Jairo de Souza Júnior obteve uma liminar em habeas corpus. A decisão judicial garante que o interrogatório do acusado pela morte de Henry Borel só ocorra após o depoimento de Monique Medeiros. O pedido, inicialmente negado pela juíza Elizabeth Louro, preside da sessão, foi posteriormente acatado em recurso.
A defesa argumenta que a inversão do interrogatório é fundamental para a garantia da ampla defesa. “Não é possível que aquele que está sendo acusado tenha de se manifestar antes da acusação. Isso é básico em qualquer Estado de Direito. Para se defender adequadamente, é necessário conhecer o conteúdo exato da acusação”, declarou o advogado Rodrigo Faucz.

