O julgamento que apura a morte do menino Henry Borel, de 4 anos, segue em sua sétima dia de sessões neste domingo (31), com o Tribunal do Júri concentrado na audição de testemunhas de defesa. No centro do processo estão o ex-vereador Jairo Souza Santos, conhecido como Jairinho, e a professora Monique Medeiros, mãe de Henry, ambos acusados pelo crime.
No sábado, o foco foi o depoimento de Bryan Medeiros da Costa Silva, irmão de Monique e sua principal testemunha de defesa. Durante mais de oito horas, Bryan detalhou o relacionamento da irmã com Jairinho e descreveu Monique como uma mãe dedicada. Ele afirmou que a irmã sempre priorizou o bem-estar do filho e que o relacionamento com o ex-vereador começou pela internet, sem que a família suspeitasse de qualquer envolvimento dele em agressões.
Bryan também relatou que Jairinho teria tentado influenciar Monique a apresentar uma versão falsa dos fatos que antecederam a morte de Henry. Segundo ele, um alerta de uma prima sobre uma possível manipulação levou a família a buscar uma defesa separada para Monique.
Outras testemunhas ouvidas no sábado incluíram um colega de trabalho de Monique e uma funcionária da brinquedoteca do condomínio onde ocorreu o crime. Ambas descreveram Monique como uma mãe atenciosa quando frequentava o espaço com a criança.
Na sexta-feira (29), o pai de Henry, Leniel Borel, concluiu seu depoimento como testemunha de acusação. O advogado Cristiano Medeiros, que atua na assistência à acusação, minimizou o impacto do depoimento de Bryan, argumentando que ele não presenciou os fatos e que as informações foram repassadas por Monique após sua prisão, buscando construir uma versão defensiva.
A defesa de Jairinho sustenta que a lesão hepática fatal de Henry pode ter sido resultado de manobras de ressuscitação no hospital. Contudo, legistas ouvidos no julgamento refutaram essa tese. O médico-legista Luiz Carlos Leal Preste discordou, enquanto outro, Luiz Airton Saveedra de Paiva, detalhou múltiplos traumatismos na cabeça, tórax e abdômen da vítima, indicando agressões que levaram à morte.
Saveedra também confirmou que Henry já estava sem vida quando chegou à unidade de saúde. O delegado do caso, Henrique Damasceno, corroborou que Jairinho pressionou a equipe médica para atestar o óbito sem a necessidade de perícia no Instituto Médico Legal (IML).
Segundo a denúncia do Ministério Público, Jairo Jairinho teria espancado Henry até a morte na madrugada de 8 de março de 2021, com Monique Medeiros omitindo-se de sua responsabilidade. O MP também aponta que Jairinho submeteu o menino a sofrimento físico e mental em outras três ocasiões em fevereiro de 2021. Jairinho é acusado de homicídio qualificado por tortura e emprego de meio cruel, fraude processual e coação no curso do processo, entre outros. Monique responde por homicídio por omissão qualificado e omissão, além de outros crimes.

