O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), estabeleceu o dia 28 de julho, às 14h, como data para oitiva do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pela Polícia Federal (PF). A oitiva ocorrerá no âmbito de uma investigação que apura suposta calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A decisão de Moraes atende à necessidade de dar andamento às investigações, uma vez que a defesa do parlamentar, que também é pré-candidato à Presidência, não apresentou datas e horários para o depoimento, como é prerrogativa do cargo. Diante da falta de manifestação da defesa, o ministro optou por designar a data.
Anteriormente, o STF havia concedido um prazo de 10 dias para a realização do depoimento. No entanto, a equipe de Flávio Bolsonaro solicitou uma extensão, alegando dificuldades em conciliar agendas. Em resposta, Moraes determinou a data, afirmando que a definição do ato por parte do Judiciário é necessária para garantir o prosseguimento adequado das apurações.
O caso remonta a uma publicação do senador na rede social X (antigo Twitter), onde ele comparou o presidente Lula ao ex-líder venezuelano Nicolás Maduro, que na época havia sido detido nos Estados Unidos. Na postagem, Flávio Bolsonaro insinuou que Lula seria investigado por crimes como tráfico de drogas, apoio a grupos terroristas, fraude eleitoral e lavagem de dinheiro.
Um relatório emitido pela PF no mês anterior apontou a existência de “indícios concretos” de que o senador cometeu o crime de calúnia contra Lula através das postagens realizadas em 3 de janeiro. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também se manifestou, ressaltando a “especial relevância” de ouvir Flávio Bolsonaro antes de qualquer decisão sobre a apresentação de uma denúncia formal.

