O governo brasileiro, por meio do Ministério das Relações Exteriores, confirmou a decisão de negar a concessão de vistos a dois funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos. Os indivíduos em questão são Riley Barnes, subsecretário para a Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, e Samuel Samson, subsecretário adjunto.
A negativa, oficializada na sexta-feira (24), ocorreu após o governo brasileiro tomar conhecimento do interesse americano em enviar esses representantes ao país. A intenção declarada era dialogar com autoridades eleitorais brasileiras sobre a liberdade de expressão no contexto das eleições presidenciais de outubro.
Fontes oficiais indicaram que a solicitação de vistos chamou a atenção por surgir em um momento em que políticos brasileiros haviam se reunido com diplomatas para expressar questionamentos sobre a segurança das urnas eletrônicas. Sob essa ótica, o governo brasileiro interpretou a visita como uma tentativa de instrumentalização política no período eleitoral, o que motivou a recusa.
O debate em torno das urnas eletrônicas tem sido reavivado recentemente, especialmente após declarações de pré-candidatos à presidência. Um exemplo notório foi a divulgação, por parte de Flávio Bolsonaro (PL), de informações consideradas falsas sobre a origem dos equipamentos. Ele alegou, durante um evento com diplomatas em Brasília, que as urnas brasileiras seriam fornecidas pela empresa venezuelana Smartmatic, sem apresentar evidências que sustentassem tal afirmação.
Em resposta a essas alegações, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reiterou, nesta quarta-feira (22), que a empresa Smartmatic não tem qualquer vínculo com o fornecimento de urnas eletrônicas ou softwares utilizados no processo eleitoral brasileiro. O TSE esclareceu que os equipamentos são desenvolvidos internamente por servidores e técnicos da Justiça Eleitoral e produzidos sob sua coordenação por empresas contratadas mediante licitação pública, garantindo assim a segurança e a transparência do sistema eleitoral.

