O advogado Fabiano Tadeu Lopes, que atua na defesa de Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, reassumirá sua posição no 2º Tribunal do Júri nesta semana. Lopes havia sofrido um infarto há quatro dias, mas, após assinar um termo de responsabilidade médica, pretende retornar ao tribunal na quinta-feira (28), com acompanhamento profissional.
A informação sobre a volta do advogado foi confirmada à Agência Brasil pelo também defensor de Dr. Jairinho, Rodrigo Faucz. Anteriormente, a condição de saúde de Lopes foi apresentada pela defesa como motivo para solicitar um novo adiamento do júri. Na segunda-feira (25), a juíza Elizabeth Machado Louro, presidente do Tribunal do Júri, foi informada de que o advogado estava com apenas 30% de sua capacidade cardiorrespiratória.
Jairinho e sua ex-companheira, Monique Medeiros, são os réus no processo referente à morte do menino Henry Borel, de 4 anos, ocorrida em março de 2021. As investigações da Polícia Civil e do Ministério Público apontam que a criança teria sido vítima de agressões por parte de Jairinho, com a mãe, Monique, acusada de omissão de responsabilidade.
O julgamento, que entra em seu terceiro dia nesta quarta-feira, já passou por um adiamento em 23 de março, quando a defesa alegou falta de acesso a provas. Uma reviravolta ocorreu no início desta semana, quando Dr. Jairinho solicitou uma nova data, argumentando a necessidade de seu principal advogado, então hospitalizado. Inicialmente, Jairinho chegou a destituir os demais advogados. A juíza considerou a manobra protelatória, mas estaria disposta a adiar o julgamento. Contudo, após a condição de que o réu seria transferido para o presídio Bangu 1, Jairinho desistiu da intenção, restabeleceu sua equipe de defesa e o julgamento foi retomado.
A sessão desta quarta-feira foi remarcada para as 11h, após os depoimentos de terça-feira (26) se estenderem até as 2h da madrugada. Na terça, foram ouvidos os delegados Edson Henrique Damasceno e Ana Carolina Medeiros, responsáveis pela investigação. Damasceno declarou que a versão dos réus sobre a morte ter ocorrido por uma queda da cama era uma “farsa ensaiada” e mencionou mensagens do celular da babá como elemento chave para confirmar o conhecimento da mãe sobre as agressões.
Inicialmente, Jairinho e Monique compartilhavam o mesmo advogado, mas agora cada um possui sua própria equipe de defesa. O caso conta com 27 testemunhas arroladas e a decisão final será proferida por sete jurados. A expectativa inicial era de que o julgamento se estendesse por aproximadamente cinco dias. Dr. Jairinho é acusado de diversos crimes, incluindo homicídio qualificado por meio cruel, tortura e fraude processual. Monique responde por homicídio por omissão qualificado, entre outros crimes.

