O julgamento do caso Henry Borel, que apura a morte do menino de 4 anos em março de 2021, caminha para sua conclusão no 2º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro. Nesta terça-feira (2), o processo atinge seu nono dia, consolidando-se como o mais longo julgamento da história do estado, superando o caso Flordelis em duração.
Ao longo dos dias, 22 testemunhas foram ouvidas, incluindo o último a depor, o médico Jeferson Evangelista Correa, contratado pela defesa de Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho. Ele e a mãe de Henry, Monique Medeiros, são os réus acusados de envolvimento na morte da criança. A acusação sustenta que Henry faleceu após agressões de Jairinho, com Monique sendo acusada de omissão.
Com o encerramento da fase de testemunhas, o julgamento entra em sua reta final, com a expectativa de que o veredito seja proferido entre esta quarta-feira (3) e quinta-feira (4). Os próximos passos envolvem os interrogatórios dos réus, que ocorreram nesta terça-feira após um pedido da defesa de Jairinho para que Monique depusesse antes dele. Ambos os réus foram interrogados pela juíza Elizabeth Machado Louro, que preside o júri, pelo promotor, pela assistência de acusação (representando o pai de Henry, Leniel Borel) e por suas próprias defesas.
A quarta-feira será dedicada aos debates. O Ministério Público iniciará a acusação, seguido pela assistência de acusação e, posteriormente, pela defesa. Os tempos de fala são estipulados em 1h30 para acusação e defesa, com acréscimos de 1 hora para réplica da acusação e 1 hora para tréplica da defesa, aumentando consideravelmente devido à presença de dois réus.
Após os debates, os sete jurados — cinco homens e duas mulheres — analisarão os quesitos apresentados. Eles responderão sobre a materialidade do fato, autoria e participação, e a possibilidade de absolvição. Decisões sobre qualificadoras, causas de diminuição de pena, desclassificação do crime e tentativa também serão abordadas. O destino dos réus será selado pelo voto sigiloso da maioria simples dos jurados, cabendo à juíza a dosimetria da pena em caso de condenação.
Durante todo o júri, os jurados permanecem incomunicáveis, alojados no Tribunal de Justiça do Rio, sem contato com o exterior, redes sociais ou notícias sobre o caso, visando garantir a imparcialidade do julgamento.

