A Corte de Apelação de Roma, na Itália, retoma nesta terça-feira (20) a análise do pedido de extradição da ex-deputada brasileira Carla Zambelli. A decisão terá peso significativo no futuro da ex-parlamentar, que se encontra detida no país europeu desde julho do ano passado.
Zambelli buscou refúgio na Itália após ser condenada a uma pena de dez anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil. As condenações foram proferidas em duas instâncias distintas pelo STF: uma relacionada à invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em colaboração com o hacker Walter Delgatti, e outra por crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal.
Durante a audiência desta terça, os magistrados italianos ouvirão os argumentos da defesa de Zambelli. Paralelamente, examinarão a documentação enviada pelo ministro do STF, Alexandre de Moraes, que detalhou as condições da Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia. Moraes assegurou que a unidade prisional atende a padrões de salubridade, segurança e assistência às detentas, incluindo atendimento médico e capacitação profissional, e destacou a ausência de histórico de rebeliões na instituição.
A decisão sobre a extradição já havia sido adiada em dezembro, quando os advogados de Zambelli solicitaram mais tempo para analisar os documentos apresentados pelo STF. A defesa argumenta que a ex-parlamentar é vítima de perseguição judicial e política no Brasil e levanta questionamentos sobre as condições carcerárias brasileiras para o eventual cumprimento da pena.
Em outubro, o Ministério Público italiano já havia emitido parecer favorável à extradição. Em dezembro, Alexandre de Moraes determinou a perda imediata do mandato de Zambelli, que, em resposta, renunciou ao cargo logo em seguida.

