O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, manifestou preocupação com a possibilidade de sanções internacionais unilaterais que possam comprometer a independência do Poder Judiciário no Brasil. A declaração ocorreu durante um encontro com Margaret Satterthwaite, relatora especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Independência de Magistrados e Advogados.
Embora o teor exato da conversa não tenha sido divulgado, Fachin indicou que pressões externas, sem a menção a casos específicos, buscam constranger magistrados por decisões tomadas no exercício de suas funções. Ele também alertou que ataques a cortes constitucionais são um fenômeno global que não deve ser ignorado.
A preocupação do STF surge em um contexto de tensões diplomáticas recentes. Os Estados Unidos mencionaram decisões do Supremo como parte das justificativas para uma possível reintrodução de tarifas sobre exportações brasileiras. Um relatório do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) citou medidas sigilosas do STF que resultaram no bloqueio de perfis de indivíduos nos Estados Unidos.
Essas determinações, segundo o relatório, referem-se a ações do ministro Alexandre de Moraes contra brasileiros residentes nos EUA, acusados de propagar ataques antidemocráticos ao STF. Entre os alvos mencionados está o blogueiro Allan dos Santos. Paralelamente, a Justiça da Flórida intimou o ministro Moraes a apresentar defesa em um processo movido pela plataforma Rumble, que o acusa de determinar bloqueios ilegais.

