Uma mulher foi assassinada a facadas na região central de São Paulo, no bairro da Liberdade, na noite de sábado (3). A vítima, identificada como Carla Carolina Miranda da Silva, foi atacada pelo ex-companheiro, José Vilson Ferreira, 29 anos, que já possuía uma medida protetiva expedida em seu desfavor. O agressor foi preso na tarde de domingo (4) no bairro do Jabaquara, zona sul da capital.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), José Vilson foi indiciado por feminicídio e descumprimento de medida protetiva de urgência. A captura foi realizada por policiais civis do Garra/Dope, em apoio à 1ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM). O suspeito foi levado à unidade policial e está à disposição da Justiça.
O caso foi analisado em audiência de custódia nesta segunda-feira (5), segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). A Justiça confirmou que não houve irregularidades na prisão e que o autor permanece detido.
Imagens de câmeras de segurança, que circulam em redes sociais, registraram o momento do ataque. As gravações mostram Carla Carolina caminhando pela calçada quando é abordada pelo agressor. A vítima tenta fugir, mas é alcançada e atingida por golpes de faca.
O Projeto Justiceiras, organização que oferece acolhimento a vítimas de violência doméstica, informou que Carla Carolina havia denunciado o ex-companheiro por violência doméstica quase um ano antes do crime e obteve uma medida protetiva que o impedia de se aproximar dela. A vítima chegou a ser socorrida e levada a um hospital, onde passou por cirurgia, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu.
O feminicídio na Liberdade adiciona um capítulo trágico à estatística de violência contra a mulher em São Paulo. A capital paulista registrou um aumento nos casos de feminicídio em 2025, atingindo o maior número desde o início da série histórica em 2015, mesmo antes da consolidação dos dados de dezembro.
O caso relembra outros episódios de violência extrema, como o atropelamento de Tainara Souza Santos no final de novembro. A vítima foi arrastada por cerca de um quilômetro presa sob um veículo na Marginal Tietê, sofrendo mutilações graves nas pernas. Apesar de socorrida e submetida a cirurgias, Tainara faleceu em 24 de dezembro, aos 31 anos, deixando dois filhos. O autor do atropelamento, Douglas Alves da Silva, foi preso no dia seguinte e a ocorrência foi classificada como tentativa de feminicídio com requintes de crueldade.

