O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apresentou nesta terça-feira (28) uma defesa escrita à Polícia Federal (PF), optando por não comparecer ao depoimento previamente agendado. O inquérito em questão apura uma suposta calúnia do parlamentar contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Embora o depoimento estivesse marcado para as 14h, os advogados de Flávio Bolsonaro comunicaram ao delegado responsável pelo caso a decisão de apresentar a manifestação escrita, solicitando que esta substituísse a oitiva presencial. Por lei, o senador, na condição de acusado, não é obrigado a prestar depoimento.
O caso teve origem em uma postagem feita por Flávio Bolsonaro na rede social X, em 3 de janeiro deste ano. Na publicação, o senador relacionou o presidente Lula a crimes como tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro e suporte a ditaduras, em um contexto que envolvia a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos e menções ao Foro de São Paulo.
Em junho, a PF concluiu um inquérito no qual apontou que a postagem configurava crime de calúnia contra o presidente da República. Na defesa escrita apresentada nesta terça-feira, Flávio Bolsonaro refutou a acusação, argumentando que seus dizeres não atribuem expressa ou implicitamente tais crimes a Lula.
Segundo o senador, a associação feita entre sua postagem e o presidente da República representa uma interpretação equivocada do texto, sem amparo na publicação original. A autorização para o depoimento de Flávio Bolsonaro à PF foi concedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Gonet havia sugerido a possibilidade de retratação por parte do senador, o que poderia isentá-lo de uma eventual condenação. A apresentação dessa defesa escrita encerra, por ora, a etapa de coleta de depoimentos no inquérito, que agora segue para análise das demais provas.

