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    Judiciário

    Justiça Federal concede R$ 300 mil a filho de João Cândido por ofensas da Marinha à memória do líder da Revolta da Chibata

    RedaçãoPor Redação23 de julho de 2026
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    A Justiça Federal determinou que a União pague R$ 300 mil em indenização por danos morais ao filho de João Cândido Felisberto, Adalberto Cândido. A decisão judicial considera ofensivas manifestações oficiais da Marinha que teriam atingido a memória do histórico líder da Revolta da Chibata.

    A 4ª Vara Federal do Rio de Janeiro, em sua sentença, validou o argumento de que as expressões utilizadas pela Marinha em um documento enviado à Câmara dos Deputados em 2024 ultrapassaram os limites do direito institucional de manifestação. O tribunal reconheceu que tais declarações causaram um dano moral indireto ao descendente direto do marinheiro, que foi posteriormente anistiado pelo Estado brasileiro.

    O Ministério Público Federal (MPF) havia relatado que, em um ofício destinado à Comissão de Cultura da Câmara, a Marinha descreveu a Revolta da Chibata como uma “deplorável página da história nacional”. O documento também empregou termos como “abjetos” e “reprovável exemplo” para se referir aos marinheiros que participaram do movimento de 1910.

    A decisão judicial alinha-se à posição defendida pelo MPF, que sustenta que a proteção da memória de João Cândido se estende aos seus familiares. O filho do líder da revolta foi considerado legitimado a buscar reparação pelos danos morais sofridos em decorrência das declarações oficiais.

    A sentença ressalta que, embora a Marinha possua liberdade para apresentar suas interpretações sobre eventos históricos, como a Revolta da Chibata, essa prerrogativa não autoriza o uso de linguagem que estigmatize figuras históricas, especialmente aquelas que foram anistiadas pelo próprio governo.

    A ação judicial foi movida por Adalberto Cândido contra a União. A Marinha foi contatada pela imprensa para comentar a decisão e aguarda-se um posicionamento oficial.

    A Revolta da Chibata, ocorrida em 1910 e liderada por João Cândido, foi um levante de marinheiros, em sua maioria negros e de origem humilde, contra os castigos físicos cruéis e as condições precárias de trabalho na Marinha. O movimento ganhou força após um marinheiro ser punido com 250 chibatadas, levando a uma rebelião que, em poucos dias, resultou na abolição dos castigos corporais.

    João Cândido, filho de ex-escravos e nascido em 1880, ingressou na Marinha aos 15 anos. Sua liderança na Revolta da Chibata lhe rendeu o apelido de “Almirante Negro”. O levante envolveu a tomada de navios na Baía de Guanabara, entre 22 e 27 de novembro de 1910, como protesto contra salários baixos, falta de progressão na carreira e, principalmente, as punições severas com chicote.

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