Familiares e ativistas se reuniram em frente ao Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro nesta terça-feira (27) para clamar por justiça no caso do assassinato do estudante Thiago Menezes Flausino, de 13 anos, ocorrido em agosto de 2023. O julgamento por júri popular dos policiais militares Diego Pereira Leal e Aslan Wagner Ribeiro de Faria, acusados de homicídio e fraude processual, teve início hoje.
Priscila Menezes Gomes de Souza, mãe de Thiago, relembrou o sonho do filho de se tornar jogador de futebol profissional. “É um momento muito difícil para a família porque nada vai trazer ele de volta, mas é o mínimo que a justiça seja feita. Eles tentaram incriminar o Thiago, mas eles é que cometeram um crime e vão sentar no banco dos réus,” declarou, emocionada. Thiago deixou pai, mãe e três irmãs.
O adolescente foi morto a tiros enquanto estava na garupa de uma motocicleta na via principal de acesso à Cidade de Deus. Ele foi atingido por três disparos, sem portar arma de fogo e em um momento sem confronto. A defesa dos policiais admitiu em depoimento que dispararam contra Thiago, e também respondem por fraude processual pela tentativa de inserir uma arma na cena do crime para simular um confronto.
Inicialmente, quatro policiais militares foram detidos como suspeitos. Em junho deste ano, o Tribunal de Justiça liberou dois deles, considerando que não teriam participado diretamente do homicídio. A Anistia Internacional acompanha o caso desde o início. “Foi uma grave violação de direitos humanos em que tudo foi feito errado. Foi feito errado a polícia suspeitar, julgar e matar de forma instantânea um menino de 13 anos. Nossa expectativa é que o Tribunal do Júri faça justiça. Já está demorando demais. Enquanto demora, é injustiça”, afirmou Jurema Werneck, diretora-executiva da Anistia Internacional no Brasil, ressaltando a urgência por uma resolução.

