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    Judiciário

    Supremo Tribunal Federal debate a validade de lei de 1941 sobre contravenções penais

    RedaçãoPor Redação5 de agosto de 2026
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    O Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou nesta quarta-feira (5) um julgamento que pode redefinir a aplicação da Lei das Contravenções Penais, um conjunto de normas em vigor no Brasil desde 1941, promulgada durante o governo de Getúlio Vargas.

    A discussão chegou à mais alta corte do país através de um recurso apresentado pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS). A promotoria contesta uma decisão da Justiça estadual que considerou a lei incompatível com a Constituição Federal de 1988.

    Durante a sessão, o plenário do STF acompanhou as manifestações das partes envolvidas e a exposição inicial do voto do ministro relator, Luiz Fux. O julgamento tem continuidade prevista para esta quinta-feira (6).

    O caso específico que motivou a análise envolve um indivíduo condenado por manter três máquinas de caça-níqueis em seu estabelecimento comercial. O ponto central do debate recai sobre o Artigo 50 da lei, que tipifica como contravenção penal a exploração de jogos de azar, como as máquinas de caça-níqueis, em locais públicos. A norma também estabelece multas que variam de R$ 2 mil a R$ 200 mil para os participantes desses jogos.

    Em seu voto, o ministro Luiz Fux ressaltou a importância de equilibrar os direitos individuais com a aplicação do direito penal, focando na questão da recepção da lei pela Constituição atual. Ele esclareceu que o foco não é nos apostadores, mas sim na tipicidade da exploração de jogos de azar.

    Representando o MPRS, a procuradora Flávia Raphael Mallmann argumentou sobre o interesse público em coibir a exploração de jogos de azar, citando os impactos negativos como o superendividamento e o vício em apostas. Ela destacou a relevância do conhecimento científico atual sobre os efeitos sociais, econômicos e sanitários decorrentes dessa atividade.

    O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também manifestou-se em defesa da aplicação da lei, argumentando que a punição pela exploração de jogos de azar ilegais deve ser mantida, mesmo com a regulamentação das apostas online. Gonet enfatizou que o artigo em questão é fundamental para inibir atividades não autorizadas.

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