O presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre, surpreendeu ao quebrar o protocolo durante a cerimônia de promulgação da emenda constitucional que extingue a jornada de trabalho no modelo 6×1. Em um gesto incomum, Alcolumbre convidou o senador Paulo Paim para sentar-se à mesa oficial, em reconhecimento à sua longa trajetória na luta pelos direitos dos trabalhadores.
“O meu coração não me permitiria, presidente Hugo Motta e presidente Lula, deixar de convidar uma pessoa para a mesa para representar o povo brasileiro”, declarou Alcolumbre, destacando a importância de Paim na conquista. Ele ressaltou que o senador gaúcho dedicou as últimas quatro décadas à batalha por essa reivindicação histórica.
Paulo Paim, que está em seu último mandato no Senado após mais de 40 anos na vida pública, tem um histórico de atuação em defesa da redução da jornada de trabalho. Em 1994, ele já havia apresentado um projeto para diminuir a carga horária de 44 para 40 horas semanais, iniciativa que, assim como outras, foi arquivada na época.
Visivelmente emocionado, Paim comparou o sentimento de ver o fim da escala 6×1 e a redução da jornada para 40 horas à promulgação da Constituição em 1988. Ele mencionou ter apresentado dez projetos relacionados à jornada de trabalho desde a constituinte, afirmando que a nova emenda “vai melhorar a vida da nossa gente”.
A Emenda Constitucional 141 de 2026, promulgada nesta sexta-feira (16), estabelece o fim da escala de seis dias de trabalho para um de descanso, implementando o modelo 5×2, com duas folgas semanais, em até dois meses. A redução da jornada de 44 para 40 horas semanais ocorrerá de forma gradual, atingindo 42 horas em 60 dias e 40 horas em 14 meses, sem alteração salarial.
A nova legislação, que atende a uma demanda histórica de trabalhadores e sindicatos, foi aprovada no Senado com 75 votos a favor e um contra. A proposta contou com apoio governamental e, após debates, obteve ampla adesão, inclusive de setores da oposição.

