O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a recente promulgação do fim da escala 6×1, que estabelece a jornada de 5×2 para os trabalhadores, afirmando que a medida visa equilibrar a saúde do trabalhador com a sustentabilidade das empresas. Lula rebateu as críticas de setores empresariais, que temem o impacto econômico da nova lei.
Durante a cerimônia de promulgação da Emenda Constitucional 221, que formaliza a escala 5×2 e reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas sem corte salarial, o presidente declarou: “Ninguém quer que a empresa quebre, mas também ninguém quer que um trabalhador morra por falta de descanso”. Ele ressaltou a importância de conciliar a prosperidade empresarial com o bem-estar e a saúde dos trabalhadores.
Lula enfatizou que o descanso é fundamental para a qualidade de vida, permitindo que os trabalhadores passem tempo com a família e realizem atividades de lazer. Ele destacou que a redução da jornada será particularmente benéfica para as mulheres, que muitas vezes acumulam responsabilidades domésticas e familiares no dia que deveria ser de descanso.
A aprovação da medida enfrentou resistência de entidades empresariais, como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), que expressaram preocupação com os possíveis efeitos negativos na economia. Lula, no entanto, classificou essas projeções como “mentira” e assegurou que a lei prevê mecanismos para discussão e resolução de quaisquer problemas que surjam.
O presidente comparou a atual discussão com o passado, lembrando que a redução da jornada de trabalho de 48 para 44 horas durante a Constituição de 1988 e a criação do 13º salário na década de 1960 também foram recebidas com previsões de colapso econômico, que não se concretizaram.
Estudos sobre o impacto da nova jornada divergem, com algumas projeções apontando impactos negativos e outras indicando uma capacidade de absorção pelas empresas. Pesquisas do Ipea sugerem um aumento nos custos trabalhistas, que varia entre setores. Paralelamente, o Congresso aprovou um projeto para aumentar o limite de faturamento e o número de funcionários para micro e pequenos negócios, visando mitigar os efeitos da mudança e apoiar os empreendedores individuais.

