A candidata à Presidência da República, Samara Martins, do partido Unidade Popular (UP), apresentou um programa de governo detalhado que propõe profundas transformações na estrutura econômica e política do Brasil, visando a superação das desigualdades sociais e a construção de uma sociedade socialista. O plano, intitulado “Unidade Popular pelo Socialismo”, aborda desde a redução da jornada de trabalho até a nacionalização de setores estratégicos da economia.
Entre as propostas mais notáveis está a elevação imediata de 100% do salário mínimo, o que levaria o valor atual de R$ 1.621 para R$ 3.242. Além disso, o programa defende o fim da escala de trabalho 6×1, comumente utilizada no varejo, e a instituição da escala 4×3, que prevê quatro dias de trabalho seguidos por três de folga, para todos os trabalhadores do país.
O plano de governo da UP, registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), também contempla a suspensão imediata do pagamento da dívida pública, com a realização de uma auditoria cidadã, e o redirecionamento de aproximadamente R$ 2 trilhões para políticas sociais. A nacionalização dos bancos e a estatização do sistema financeiro são outras medidas econômicas propostas, assim como o fim da autonomia do Banco Central.
A candidata Samara Martins, cirurgiã-dentista e trabalhadora do SUS, que concorre com Raquel Brício como vice, também defende a reestatização de empresas privatizadas, incluindo Eletrobras e Petrobras, além do controle público sobre a geração de energia, mineração, produção de combustíveis e indústria de defesa. O programa ainda prevê o fim de novas privatizações e a revisão de concessões de portos, aeroportos e rodovias.
Na área tributária, a UP propõe isenção de Imposto de Renda para trabalhadores, retirada de impostos sobre itens da cesta básica e a instituição de tributação progressiva sobre grandes fortunas, lucros, dividendos e heranças. O programa também aborda questões de direitos humanos, com propostas de combate ao racismo, machismo e LGBTfobia, além da criminalização da misoginia e a legalização do aborto.
Para a segurança pública, o plano prevê a desmilitarização das polícias e a eleição direta para juízes e tribunais superiores. Na comunicação, a UP defende a estatização de monopólios de TV e rádio e o apoio à imprensa comunitária e alternativa, com a nacionalização de grandes gravadoras e produtoras cinematográficas.

