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    Judiciário

    Justiça ouve policial civil que matou motorista dentro de casa durante operação em Manaus

    RedaçãoPor Redação20 de julho de 2022
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    A Justiça do Amazonas ouviu, na terça-feira (19), o policial civil que matou motorista Sérgio Fragoso Monteiro, dentro da casa da vítima durante uma operação policial, em junho do ano passado, em Manaus. A família afirma que o homem foi baleado ao notar a presença dos policiais, que procuravam pelo filho dele.

    Na ocasião, a polícia faziam uma operação contra os mandantes da onda de ataques ocorridos também em 2021, na capital. De acordo com a filha da vítima, Juliana Monteiro, o pai foi baleado dentro de casa, sem ter o direito de se defender.

    Segundo a filha da vítima, os policiais não se identificaram no momento da operação, e a família chegou a pensar que a casa estava sendo invadida por bandidos.

    O interrogatório do policial ocorreu na terça durante a audiência de instrução e julgamento do caso, em sessão presidida pelo juiz de direito Mauro Antony e realizada por videoconferência.

    Durante a audiência, também foi ouvida uma médica legista do Instituto Médico Legal (IML), além de três testemunhas de defesa, encerrando, assim, as oitivas das testemunhas.

    Concluídos os trabalhos, o magistrado abrirá prazo para que acusação e defesa apresentem as alegações finais escritas. A partir disso, Mauro Antony decidirá se o réu será pronunciado ou não. Caso seja, o homem vai ser julgado pelo Tribunal do Júri.

    Família fala em ação truculenta

    Além do motorista em Manaus, outras três pessoas morreram durante a operação, entre elas um adolescente de 16 anos, que foi baleado na cabeça dentro de casa, no Rio de Janeiro. No total, 15 pessoas foram presas no Amazonas, no Rio e em São Paulo. Os presos no Rio foram transferidos para Manaus, na ocasião.

    Na época, a filha do motorista contou que os pais acordaram pensando que a casa estava sendo invadida por bandidos.

    “Meus pais estavam dormindo e eles escutaram um barulho muito alto. Eles se levantaram, ligaram a luz do quarto e meu pai veio até a porta ver o que estava acontecendo. No que ele abriu, ele tentou fechar. Isso porque eles estavam de preto, encapuzados. Com medo, ele tentou fechar. Quando ele tentou fechar, levou o tiro. No mesmo momento, caiu no chão e começou a sair o sangue pela boca”, disse.

    Ao ver a cena, a mulher do motorista tentou se esconder no quarto, também pensando que os homens que entraram na casa eram bandidos. Isso porque, segundo a família, em nenhum momento, os policiais anunciaram que a ação se tratava de uma operação e que eles eram agentes da segurança pública.

    “Minha mãe entrou no quarto, ficou com medo achando que iam matar. Ela viu eles matarem o meu pai na frente dela. Chegaram no chute, mandando ela deitar no chão e colocando a arma em cima dela. Reviraram a casa inteira e só depois falaram que era polícia”, contou a filha.

    A filha também explicou que o pai ficou caído no chão e os policiais sequer prestaram socorro. Depois de muita insistência, os homens levaram a vítima até o Pronto-Socorro 28 de Agosto, onde disseram que ele era bandido e tinha sido alvejado em confronto com os policiais.

    “Depois da minha mãe pedir muito, pediram para ela pegar uma rede para poder levar o corpo. E aí pegaram, jogaram na caçamba de um carro e pediram a documentação dele para minha mãe. Disseram que iam levar para o [Hospital] 28 de Agosto. Quando eu soube, saímos para procurar e não estávamos encontrando. Uma tia minha que conhece algumas pessoas do 28 perguntou e disseram que não tinha ninguém lá, apenas um homem que foi alvejado trocando tiros com a polícia”, disse.

    Ao ver a foto do corpo, a família identificou o homem que, segundo o hospital, deu entrada como um indigente.

    “Ele tinha 50 anos, era trabalhador, motorista de ônibus, homem honesto que nunca teve problema com ninguém. Pai de três filhos, avô. Era apaixonado pela neta e estava ansioso pelo segundo neto que está para nascer por esses dias”, afirmou a filha.

    Depois da ação, os agentes falaram para a mãe de Juliana que tinham um mandado de busca e apreensão contra o irmão dela, que anteriormente já havia sido preso por tráfico de drogas. No entanto, o homem não morava mais na casa. “Eles, como policiais, deveriam ter investigado, mas não investigaram”, falou.

    Polícia negou problemas

    Na época, a então delegada-geral da PC, Emília Ferraz, negou que houve problemas durante a operação, realizada em conjunto com a polícia do Rio de Janeiro. Ela afirmou que a operação foi feita dentro do padrão. A delegada disse, ainda, que os procedimentos seriam investigados pela Delegacia de Homicídios para a garantir a isenção.

    “Infelizmente, existem pessoas que teimam em atacar a polícia quando ela faz seu trabalho, quando ela dá essa resposta para a sociedade”, disse, a então delegada-geral.

    “Nós lamentamos a perda de qualquer vida, independente do modus operandi que a pessoa leva na vida dela. Nós lamentamos, mas, infelizmente, o que nos é mais grave é dar para a população de bem tranquilidade. Infelizmente, se for necessário, nós temos que agir com contundência, porque hoje infelizmente aconteceu a perda dessa vida, mas poderia ter sido de qualquer um, de um filho nosso, de um policial, uma pessoa que dedica a vida, dá a vida em prol da segurança da população amazonense”, afirmou a delegada-geral.

    Fonte: G1 Amazonas

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