A viúva de Celso Araujo Sampaio de Novais, motorista de aplicativo que morreu após ser atingido durante a execução do empresário Vinicius Gritzbach, testemunhou nesta segunda-feira (22) no Fórum Criminal de Guarulhos, na Grande São Paulo. Em depoimento como testemunha de acusação, ela detalhou as severas dificuldades, incluindo as financeiras, que tem enfrentado desde a perda do companheiro.
“Ele me ajudava a pagar o aluguel. Ele era muito provedor. Antes eu não tinha essa preocupação, mas, hoje, tenho dificuldades para pagar o aluguel e até os óculos do meu filho”, relatou a viúva, cujo nome foi preservado pela Justiça. A mãe do motorista assassinado, Aparecida Camilo, de 65 anos, acompanhou o depoimento emocionada.
O filho do casal, ainda criança, questiona constantemente a ausência do pai. “Nosso filho me pergunta o tempo todo: ‘Por que tiraram o meu pai de mim?’”, desabafou a viúva durante o seu relato à corte. Celso Araujo Sampaio de Novais, que apenas passava pelo aeroporto no momento do crime, foi atingido no rim e no fígado por estilhaços de bala, falecendo no dia seguinte ao ataque contra Gritzbach.
Segundo um perito criminal ouvido no mesmo dia, pelo menos 27 projéteis foram disparados no local. O caso envolve o julgamento de três policiais militares: o tenente Fernando Genauro da Silva, o cabo Denis Antônio Martins e o soldado Ruan Silva Rodrigues, todos presos. O Ministério Público acusa Martins e Rodrigues de terem utilizado fuzis para executar Gritzbach, enquanto Silva teria auxiliado na fuga.
Os réus acompanharam o início do julgamento, que tem previsão de durar cinco dias, mas só puderam entrar na sala após o depoimento de duas testemunhas de acusação que solicitaram para serem ouvidas sem a presença deles. As primeiras testemunhas foram um homem ferido na mão e uma mulher atingida na barriga por estilhaços, que estavam no aeroporto por motivos alheios ao crime.
Vinicius Gritzbach era réu por homicídio e investigado por suposto envolvimento em esquemas de lavagem de dinheiro para o PCC. Antes de ser assassinado, ele firmou um acordo de delação premiada com o Ministério Público, entregando informações sobre pessoas ligadas à facção e acusando policiais de corrupção.
A acusação, conduzida pelos promotores Vania Caceres Stefanoni e Rodrigo Merli Antunes, arrolou dez testemunhas. Até o momento, quatro já foram ouvidas, incluindo as duas vítimas dos disparos, a viúva do motorista e um perito. As testemunhas de defesa, que totalizam doze, começarão a depor após o fim das oitivas da acusação. Os advogados de defesa alegam que a investigação contra seus clientes foi manipulada.
O corpo de jurados é composto por sete pessoas, sendo três mulheres e quatro homens. Após a fase de depoimentos e interrogatório dos réus, ocorrerá o debate entre acusação e defesa, seguido pela deliberação final dos jurados para determinar a condenação ou absolvição dos policiais.

