Setor privado critica isolamento de Lula, articula diplomacia paralela com Trump e cobra medidas para restaurar estabilidade institucional.
Em meio ao choque causado pelo anúncio do governo Trump de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, empresários de peso passaram a pressionar o Supremo Tribunal Federal (STF) por gestos concretos para restaurar a confiança internacional no Brasil. Entre as demandas, estão a reversão da inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), anistia a lideranças opositoras e o encerramento de inquéritos contra a direita.
A cobrança de parte do setor produtivo, segundo apurou o portal junto a fontes empresariais e diplomáticas, é uma reação ao que consideram um cenário de “desorganização institucional” e “perseguição política” no país, que, para os norte-americanos, contribui para a falta de segurança jurídica e afasta investidores.
As medidas sugeridas pelos empresários também se apoiam em compromissos internacionais assumidos pelo Brasil em tratados de direitos humanos e garantias civis, que vêm sendo questionados em relatórios de órgãos vinculados à ONU e à OEA desde 2019. “Não se trata apenas de economia. Trump deixou claro que não há confiança em um país que persegue oposição e judicializa a política. Ou o Brasil sinaliza estabilidade institucional, ou vamos sangrar comercialmente”, resumiu um representante do setor industrial, sob reserva.
Críticas à condução de Lula
A avaliação é de que a crise não será resolvida apenas no campo econômico. Empresários têm procurado interlocutores no Planalto oferecendo propostas para uma solução diplomática, mas se dizem frustrados com a condução do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para eles, o petista tem priorizado um discurso político interno para animar sua base, minimizando os riscos diplomáticos e econômicos de longo prazo.
Na sexta-feira (11), Trump descartou diálogo com Lula neste momento, reforçando que a sobretaxa não é apenas uma medida comercial, mas uma resposta a um conjunto de problemas no Brasil: aproximação do governo brasileiro com regimes autoritários, decisões do STF que geraram instabilidade política, perseguição a opositores e políticas internas que desestimulam o investimento externo.
Em resposta, Lula afirmou que irá “brigar em todas as esferas”, acionando a OMC e o Brics, declaração que foi vista pelo empresariado como retórica vazia e ineficaz.
“Celso Amorim, Mauro Vieira e o próprio Lula não têm mais credibilidade suficiente para conduzir uma negociação com os americanos. Eles são parte do problema, não da solução”, disse um executivo do agronegócio.
Diplomacia paralela
Diante do impasse, empresários e diplomatas independentes articulam uma “diplomacia paralela” para tentar reabrir canais com Washington sem passar pela estrutura formal do Itamaraty. A ideia é usar representantes da iniciativa privada e interlocutores que tenham trânsito direto com republicanos.
A percepção entre os empresários é que Trump dificilmente recuará, porque enxerga a deterioração institucional do Brasil como um problema crônico e acumulado ao longo dos últimos anos.
Com as eleições brasileiras de 2026 no horizonte, cresce o temor de que os ataques externos se intensifiquem caso STF e governo não avancem em medidas capazes de reequilibrar os poderes internos, restabelecer garantias constitucionais e sinalizar estabilidade ao mundo.
“Ou corrigimos o rumo já, ou vamos pagar caro na economia e na política. E isso não se resolve com discursos na ONU ou bravatas no Brics”, resumiu outro empresário, para quem a devolução da elegibilidade a Bolsonaro e a anistia a opositores seriam um “primeiro passo” para reduzir as tensões internas e externas.

