A Polícia Federal identificou repasses financeiros do empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, a assessores ligados ao senador Weverton Rocha (PDT-MA) no contexto do esquema bilionário de fraudes envolvendo descontos indevidos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social. As informações foram divulgadas pela jornalista Raquel Landim, do SBT News.
Weverton Rocha figura entre os alvos da quinta fase da Operação Sem Desconto, deflagrada nesta quinta-feira (18), que cumpre 16 mandados de prisão preventiva e 52 mandados de busca e apreensão, todos autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A ofensiva tem como foco principal o rastreamento de dinheiro e a identificação de beneficiários do esquema.
De acordo com a investigação, a Polícia Federal chegou a solicitar a prisão do senador, sustentando a suspeita de que ele poderia ter sido beneficiado financeiramente por meio de intermediários. No entanto, a Procuradoria-Geral da República (PGR) e o ministro André Mendonça, do STF, se manifestaram contra a medida. Para as autoridades, ainda não há provas diretas que comprovem o repasse de valores ao parlamentar.
Nesta etapa da operação, os investigadores concentram esforços na apuração de lavagem de dinheiro supostamente praticada por Antônio Camilo Antunes, apontado como um dos principais operadores do esquema que teria desviado recursos por meio de descontos associativos ilegais aplicados a benefícios do INSS entre 2019 e 2024.
Durante a ação desta quinta-feira, a PF prendeu Romeu Carvalho Antunes, filho do Careca do INSS, identificado como integrante da engrenagem financeira do grupo investigado. Também foi cumprido mandado de prisão domiciliar, com afastamento do cargo, contra Adroaldo da Cunha Portal, secretário-executivo do Ministério da Previdência Social e número dois da pasta.
As investigações seguem em andamento e devem aprofundar o mapeamento das transações financeiras, além de buscar identificar outros possíveis beneficiários, incluindo agentes públicos e políticos. A Polícia Federal apura se os repasses a assessores fazem parte de uma estratégia para ocultar a origem ilícita dos recursos e ampliar a rede de proteção do esquema.

