O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) se manifestou nesta sexta-feira (22) sobre a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em pronunciamento publicado nas redes sociais, o parlamentar classificou a decisão como um ato de perseguição política e afirmou que o sistema judiciário brasileiro “se transformou em instrumento de repressão ideológica”.
Segundo Nikolas, a prisão teria ligação direta com a vigília convocada por Eduardo Bolsonaro, marcada para a noite do dia 22, em frente à casa do ex-presidente. Para o ministro, a mobilização seria uma manifestação com potencial de estimular ações coordenadas por uma suposta organização criminosa atribuída a Bolsonaro — argumento contestado pelo deputado.
O parlamentar citou ainda que, antes mesmo da vigília ocorrer, Bolsonaro já teria sido apontado como possível alvo de prisão. Nikolas alegou que a decisão estava pronta desde o dia 21 e acusou Moraes de construir “narrativas” para criminalizar atos públicos realizados por apoiadores da direita.
Ele também rebateu a afirmação de que Bolsonaro estaria planejando fuga caso retirasse a tornozeleira eletrônica. “Quem tentaria fugir removendo o equipamento muitas horas antes de uma vigília pública?”, questionou.
Durante o vídeo, Nikolas relembrou episódios anteriores envolvendo investigações contra aliados do ex-presidente, incluindo buscas e apreensões direcionadas a religiosos que teriam participado de orações consideradas suspeitas pela investigação. Segundo o deputado, isso demonstraria uma escalada de ações judiciais contra opositores políticos.
O parlamentar citou exemplos de manifestações de diferentes grupos ao longo dos anos e argumentou que atos realizados por apoiadores de Bolsonaro, exceto os ocorridos em 8 de janeiro, não registraram violência ou depredação. Ele questionou por que vigílias ou orações seriam tratadas como atos criminosos, enquanto outras manifestações não receberiam o mesmo enquadramento.
Nikolas ainda declarou que a prisão do ex-presidente não solucionará problemas estruturais do país, como corrupção, violência, queimadas na Amazônia ou falhas em serviços públicos. Para ele, atribuir a Bolsonaro a responsabilidade por todas as crises seria uma “narrativa conveniente”.
Em tom crítico, o deputado afirmou que o Brasil vive um “regime de exceção”, no qual adversários políticos seriam alvos de medidas judiciais desproporcionais. Ele alertou que, segundo sua avaliação, o perigo não estaria restrito a figuras públicas, mas ameaçaria a população como um todo.
Ao final da manifestação, Nikolas incentivou apoiadores a manterem mobilização pacífica e declarou que continuará se posicionando contra o que chama de “abuso de autoridade” no país.
A decisão que levou à prisão de Jair Bolsonaro segue repercutindo no cenário político nacional e deve ser analisada pelo STF ao longo das próximas semanas. Enquanto isso, aliados e críticos do ex-presidente se dividem nas interpretações sobre os fundamentos e a legalidade da medida.

