A Polícia Federal (PF) aponta em relatório que o banqueiro Daniel Vorcaro custeou diárias em um hotel de luxo em Lisboa, Portugal, para o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), e o senador Ciro Nogueira (PP-PI) em 2024. A informação faz parte das investigações da Operação Compliance Zero, com detalhes divulgados nesta terça-feira (16) pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
De acordo com o documento da PF, mensagens de WhatsApp encontradas no celular de Vorcaro indicam que ele solicitou a um associado, Leo Serrano, a reserva de hotéis na capital portuguesa para “Ciro e Hugo”. Investigadores interpretam esses nomes como referências ao senador Nogueira e ao presidente da Câmara Lira. O banqueiro teria expressado grande preocupação com a privacidade, pedindo a “privatização do espaço localizado em frente” ao Hotel Four Seasons, local escolhido para a estadia.
O relatório detalha que o custo estimado para cinco diárias no hotel foi de aproximadamente 3 mil euros, o equivalente a R$ 18 mil. Uma nota fiscal encontrada no e-mail de Vorcaro reforça a identidade dos beneficiários, indicando a contratação de “2x Jr. Suítes”, uma para cada um.
A investigação também aponta para uma relação próxima entre Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro, com a PF alegando que o banqueiro custeou viagens internacionais do senador para Paris, Nova Iorque e Courchevel, totalizando mais de R$ 400 mil, sem incluir gastos com voos privados.
Arthur Lira não é formalmente investigado pela PF neste caso específico. Já Ciro Nogueira figura entre os investigados e já foi alvo de busca e apreensão autorizada pelo STF.
Procurado por jornalistas, Lira afirmou estar “tranquilo” e que sua presença em Lisboa se deu para participar de um evento jurídico organizado pelo ministro Gilmar Mendes. Até o momento, Ciro Nogueira não emitiu pronunciamento oficial sobre o relatório da PF.

